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Pitacos Literários


Uma questão

O artigo foi escrito com outro objetivo, no ano passado, mas acredito que encaixa no blog. Por causa do tamanho, está divido em duas partes.

Literatura e blogs são universos paralelos?

Os internautas foram apresentados ao universo dos weblogs por volta de 2000 e a então nova ferramenta não custou a cair no gosto dos jovens, que começaram a publicar seus pensamentos e questões pessoais na Internet, fazendo com que esse tipo de página fosse prontamente identificada como “diário virtual de adolescentes”. Calcula-se que hoje, no mundo, já existam mais de 12 milhões de blogs publicados e algo em torno de 40 mil sejam criados a cada dia, não necessariamente por diaristas interessados em tornar públicos seus escritos íntimos. Quando se fala de Internet, as possibilidades são tantas quantas permitirem a criatividade aliada à tecnologia. O que os aficionados por literatura e uma nova geração de candidatos a escritores perceberam, por exemplo, foi uma maneira de tentar romper barreiras, fazendo seus escritos circularem em um mundo sem as amarras do fechado mercado editorial. Na web, a liberdade de expressão existe verdadeiramente, porque cada um atua como seu próprio editor, e o início do reconhecimento pelo trabalho pode estar a apenas um clique de distância, o que não significa que a tarefa seja simples.

Durante os primórdios do mundo blogueiro, os futuros novos escritores que se aventuraram a criar páginas virtuais não passaram ilesos pelo processo. Junto com o avanço, toda nova tecnologia sempre traz consigo um olhar desconfiado por parte dos mais conservadores. No caso dos blogs, ainda houve o agravante dos registros de memórias pueris, afinal, a possibilidade de considerar ou não gênero literário os escritos tais como diário e autobiografia é uma das maiores discussões da crítica especializada. A passagem da literatura de seu canal tradicional – o papel – para a tela do computador não foi nada tranqüila. Entretanto, deixando de lado o preconceito e olhando para o blog como uma ferramenta mais democrática de publicação, é possível encontrar boas páginas e exemplos de escritores em ascensão cujo início está intimamente ligado à web. No Rio de Janeiro, talvez um dos mais conhecidos seja João Paulo Cuenca, autor do blogCorpo Presente”, que tinha como objetivo inicial ser um diário do processo de edição e finalização de seu primeiro livro, um romance com o mesmo nome. Cuenca, que já teve textos publicados em revistas, jornais e coletâneas e cujo romance de estréia chegou a ser elogiado por Chico Buarque, começou sua carreira na Internet mesmo antes da era dos blogs, enviando seus escritos para os amigos por e-mail.

Outro caso bem sucedido é o de Fabrício Carpinejar, que mantém seu blog desde de 2003 e, nesse período, teve dois livros publicados. Além de disponibilizar suas criações tanto em prosa quanto em verso, vez por outra dialogando com as artes plásticas e visuais, a página do escritor e jornalista trata também de livros de outros autores, sendo um bom espaço virtual para a literatura.

Uma das primeiras escritoras da nova geração a ter o nome associado ao mundo virtual foi Clarah Averbuck. No Sul, ela ganhou fama entre os internautas como colunista de um já extinto e-zine e, depois, como autora de vários blogs, antes de ter o seu primeiro romance (“Máquina de Pinball”) publicado. “Brasileira! Preta!”, seu blog mais conhecido, não é atualizado desde março de 2005, mas Clarah não deixou de escrever. Depois da estréia, teve outros livros publicados.



Escrito por Renée às 15h27
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Os exemplos não acabam por aí. Há o “Hotel Hell”, de Joca Reiners Terron; “Amor e Hemácias”, de Santiago Nazarian; “Pentimento”, de Marcelo Moutinho; “Olivetti 22”, de Miguel Conde; e “Pensar Enlouquece”, de Alexandre Inagaki, para citar alguns blogueiros já publicados, não necessariamente conhecidos. Surgem também as páginas coletivas, como o “Escritoras Suicidas”, que, ao reunir e articular uma nova geração de aspirantes a escritor, permitindo uma convivência, mesmo que virtual, mais do que divulgar nomes, pode impulsionar um possível futuro movimento literário.

 

Dentro do universo dos blogs, o que os autores têm em mãos é uma ferramenta versátil, em termos tecnológicos. Hoje, há sites de busca específicos para blogs, como o technorati.com e o www.bloogz.com e filtros para evitar spam nos comentários. O crescimento da própria Internet, a proliferação de celulares e câmeras digitais e o surgimento de ferramentas amigáveis para a construção de blogs têm contribuído para o crescimento dessas páginas virtuais e de suas possibilidades de uso. Para os especialistas da área, a tendência é que, no futuro, os weblogs sejam expandidos por múltiplos canais, incluindo a TV interativa. Hoje, já é possível sua leitura no celular e a publicação de conteúdos multimídia, incluindo fotologs, videologs, álbuns de fotos e superblogs, que permitem a publicação de textos mais extensos, fotos e vídeos, tornando difícil prever quais serão os limites no futuro.

 

Apesar de todas as possibilidades da web, recentemente, 14 blogueiros se reuniram e lançaram o livro "Blog de Papel", fazendo o caminho de volta para a celulose. Daí podem ficar duas idéias: a de que o blog pode mesmo ser visto como espaço para exercício de criação e divulgação de escritos e/ou novos escritores e que nada impede os universos literário e blogueiro de serem vias de mão dupla, influenciando e renovando um ao outro.



Escrito por Renée às 15h21
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Página 1

Para pôr fim ao eterno amanhã do post de estréia, esse caderno virtual vai ser inaugurado com uma indicação: o "Rascunho" é um jornal de literatura feito em Curitiba. Traz entrevistas, críticas, resenhas, seções variadas e, à moda antiga, está publicando, mensalmente, um romance-folhetim assinado por Fernando Monteiro. Li essa notícia no site da revista Entrelivros.

Em tempo: o "Rascunho" também tem versão impressa.



Escrito por Renée às 14h38
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